Em Nova Iguaçu, obras de dois viadutos, orçados em R$ 61,2 milhões, estão paralisadas




NOVA IGUAÇU - Em Nova Iguaçu, obras de dois viadutos, orçados em R$ 61,2 milhões, estão paralisada.

A inauguração seria em dezembro do ano passado. Porém, oito meses depois, o que se vê ainda são esqueletos dos dois viadutos que prometiam melhorar (e muito) o trânsito em Nova Iguaçu. No mais caro — custou R$ 31,5 milhões —, em Comendador Soares, o abandono salta aos olhos. Aparentemente, apenas cães vira-latas ‘‘guardam’’ o lugar.

A via que passaria sobre a linha férrea do bairro, ligando a Avenida Tancredo Neves à Rua Lafaiete Pimenta, hoje só ostenta os pilares do que seria o viaduto. Tapumes cercam a área e moradores ainda sonham com a inauguração da estrutura. O aposentado Valter Melquiades da Silva, de 76 anos, é um deles.

— Eu tenho esperança. Tenho que acreditar que algum dia vou ver esse viaduto pronto. Não é possível que vão jogar tudo isso fora, é muito dinheiro público gasto — ressalta o aposentado.

Os comerciantes da região também clamam pela retomada das obras e pela abertura da passagem. A previsão era de que 3,5 mil carros circulassem ali por hora. Para eles, o bairro ganharia em movimento e, claro, em faturamento.

— O nosso movimento com um viaduto novo seria bem maior. Seria bom para a mobilidade do bairro e para os comerciantes — afirma Gilberto Castilho, de 58 anos, dono de um bar na Avenida Tancredo Neves.

O outro viaduto passaria sobre a Via Dutra, na altura do Km 178, e ligaria os bairros Metrópole e Rancho Novo. O objetivo era melhorar o tráfego até o Centro da cidade. Segundo o Governo estadual, esta passagem foi orçada em R$ 29,7 milhões. Por lá, a situação parece ser um pouco mais avançada, porém a situação de abandono é a mesma. Nenhum operário é visto há dias dando continuidade à obra.

Prefeitura e Estado: ninguém assume a culpa

Apesar de terem sido anunciadas com pompa pelo Governo do estado, as obras, em parceria com a Prefeitura de Nova Iguaçu através do programa Somando Forças, hoje parecem não ter dono. Tanto a Secretaria Estadual de Obras quanto o Governo municipal empurraram um para o outro a responsabilidade pela paralisação das intervenções.


Inicialmente, a prefeitura disse que as obras eram de responsabilidade do estado e que era preciso consultá-lo sobre a interrupção. Por sua vez, a Secretaria estadual de Obras alegou que aguardava a cidade regularizar a sua situação “no Siafe-Rio (sistema estadual para acompanhar a gestão orçamentária dos municípios) para que possam ser feitos os novos repasses’’.

A partir daí, a administração municipal afirmou que o Estado “não repassou os recursos financeiros dentro do prazo previsto no contrato’’. As obras tiveram início em julho de 2014 e tinham prazo de 18 meses para conclusão.

Via Jornal Extra

Caderno Mais Baixada
Por Igor Ricardo
11/08/2016